O programa Papo Cabeça, apresentado pela psicóloga danidalcinbenedetti completa três anos de programação na Rádio CRN de Itatiba. Ao longo desse período, a atração tem levado aos ouvintes informações, reflexões e debates sobre saúde mental, comportamento, inclusão, bem-estar e questões presentes no cotidiano.

Para marcar a data, @edilamar.dedim do Departamento de Jornalismo da CRN entrevistou Dani Benedetti, que também preside a ONG Grupo Entre Rosas. Durante a conversa, a psicóloga falou sobre a trajetória do programa, os desafios da comunicação em saúde mental e a importância de tornar assuntos considerados complexos mais acessíveis ao público.

Segundo Dani, desde o início a proposta do Papo Cabeça foi mostrar que falar sobre saúde mental pode ser algo simples e acessível. “Mostrar para os ouvintes que a saúde mental pode ser leve, tranquila, descomplicada. Essa é a minha função: descomplicar a parte da saúde mental”, afirmou.

Ela destaca que uma característica do programa é a preocupação em levar informações atualizadas aos ouvintes.

“Eu procuro manter a qualidade das notícias. Como tenho esse olhar voltado para a ciência, estou sempre pegando artigos científicos e o que está atual no mundo da saúde mental”, explicou.
A apresentadora também destaca a participação de outros profissionais da área da saúde, que contribuem para ampliar os assuntos discutidos no programa.

Linguagem acessível

Para Dani, transformar temas da psicologia em conteúdo para o rádio não representa uma dificuldade. Ela explica que procura utilizar uma comunicação didática, permitindo que o ouvinte compreenda como funcionam pensamentos, emoções e comportamentos.

“Eu sou muito didática, tanto na minha terapia quanto no programa. Gosto de explicar passo a passo, para os ouvintes e para os pacientes, como funciona o cérebro, os pensamentos e o comportamento”, disse.

Entre os assuntos que tiveram grande repercussão está a relação entre alimentação e emoções, abordada em entrevista com a nutricionista Natália Rossi, do projeto “Além do Prato”. Dani conta que o conteúdo despertou grande interesse do público e fez com que muitos ouvintes procurassem informações e pedissem o retorno da entrevistada.

Outro tema que chamou a atenção foi o das altas habilidades, antigo conceito relacionado à superdotação. De acordo com Dani, muitas pessoas se identificaram com o conteúdo e passaram a compreender melhor determinadas características de seu comportamento.

Saúde mental ganha espaço

Na avaliação da psicóloga, a discussão sobre saúde mental ganhou força nos últimos anos, especialmente depois da pandemia. Ela observa que temas como TDAH, burnout e outras questões relacionadas à saúde mental passaram a ser tratados com maior abertura.

“Depois da pandemia, eu percebi que a saúde mental passou a ser algo importante para as pessoas falarem”, afirmou.

Dani também defende que a terapia seja vista como uma ferramenta de autoconhecimento, e não associada à ideia equivocada de que procurar ajuda psicológica seria “coisa para louco”.

“Uma vez na vida, eu sugiro que a pessoa faça um pouco de terapia, para se conhecer. A terapia não é para louco. Ela é para um autoconhecimento”, ressaltou.

Para ela, compreender as próprias emoções e comportamentos pode ajudar as pessoas a entender por que sentem raiva, tristeza, medo ou desenvolvem determinadas fobias.

Novos projetos

Para os próximos anos, Dani revela o desejo de ampliar o formato do Papo Cabeça e transformá-lo também em um projeto no estilo podcast, aproveitando a estrutura de estúdio da CRN.

“Eu gostaria muito de fazer em estilo podcast. Gosto bastante dessa questão da comunicação, do vídeo. Acho bem legal que a pessoa vê também”, contou.

A psicóloga também pretende continuar ampliando a participação de profissionais da saúde no programa e convida os próprios ouvintes a sugerirem especialistas e temas.

Ao resumir os três anos do Papo Cabeça, Dani escolheu uma mensagem relacionada ao processo de autoconhecimento. “A saúde mental e o autoconhecimento podem parecer doloridos, mas são libertadores”, destacou.

Segundo ela, enfrentar questões do passado e ressignificar experiências pode ser difícil, mas proporciona ferramentas para lidar melhor com as situações da vida.

“Cada dorzinha que você vai sentir, descobrindo um trauma, às vezes revivendo aquele trauma para a gente conseguir ressignificar, dói. Mas é libertador. Então, vale muito a pena cuidar da saúde mental”, concluiu.

O Papo Cabeça vai ao ar às segundas-feiras, às 16h, pela Rádio CRN, na frequência 1.420 kHz AM, além do site e aplicativo da emissora.